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6 Livros para Compreender Racismo e o Atual Debate Racial

Postado por Ali Prando / 6 June, 2020

Não basta só postar mensagens nas redes sociais, mas estimular o debate e se informar. Vem saber quem é craque no assunto!

Nos últimos dias, vemos uma crescente de protestos contra o racismo nos Estados Unidos e no Brasil. Há muito tempo, intelectuais públicos tem escrito sobre o esgotamento das políticas neoliberalistas que já não são sustentáveis e fragilizaram ainda mais a democracia social.

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Como sintoma do racismo estrutural, George Floyd foi assassinado friamente pela polícia de Minneapolis: o homem teve seu pescoço esmagado por oito minutos e morreu asfixiado – é justamente esse sentimento de asfixia física e simbólica que permeia as vivências de minorias sociais no mundo.

Racismo

Mais do que postar memes anti-racista ou anti-fascista na internet, é preciso que a branquitude estude, pesquise e entenda que o racismo é uma problemática branca, já que são as pessoas racializadas enquanto brancas que são as principais agentes de violência contra minorias sociais e pessoas negras.

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O Brasil, assim como os Estados Unidos, tem problemas em relação ao racismo que requerem soluções incisivas e urgentes, tais como a representação nas mídias, desigualdade salarial, encarceramento massivo e outros. Aqui vão cinco livros que ajudam a compreender e emancipar nossa visão sobre as políticas raciais no mundo:

O QUE É RACISMO ESTRUTURAL?

Silvio Almeida
Editora Letramento / Selo Justificando
R$ 19,90

Racismo

Parte da coleção Feminismos Plurais, com curadoria da filósofa Djamila Ribeiro, o ensaio ‘O Que é Racismo Estrutural?’ é uma importante ferramenta para pensarmos como o racismo nos estrutura socialmente – desde a linguagem (termos racistas) até a arquitetura (encarceramento, exclusão de minorias de instituições de poder) ou mesmo as nossas relações econômicas, jurídicas e familiares. O livro dialoga com conceitos desenvolvidos por pensadores como Achille Mbembe, Paul Gilroy e Guerreiro Ramos.

“O racismo não é um ato ou um conjunto de atos e tampouco se resume a um fenômeno restrito às práticas institucionais; é, sobretudo, um processo histórico e político em que as condições de subalternidade ou de privilégio de sujeitos racializados é estruturalmente reproduzida”, aponta Silvio.

CRÍTICA DA RAZÃO NEGRA

Achille Mbembe
N-1 Edições
R$ 76,50

Racismo

Uma das maiores referências acadêmicas dos estudos raciais e pós-coloniais, é de Achille Mbembe o conceito de “necropolítica” (bastante popularizado na última década no Brasil, diz respeito às formas que o Estado cria para extermínios de corpos minoritários).

Em ‘Crítica da Razão Negra’, sem fazer concessões, Mbembe aproveita conceitos históricos e psicanalíticos sobre raça, tratando-a como uma tecnologia biopolítica de opressão. Tanto o discurso popular europeu, quanto o erudito, foram responsáveis por disseminar fábulas de exotificação e submissão que ainda hoje permanecem em nossas práticas políticas:

“Ao reduzir o ser vivo a uma questão de aparência, de pele ou de cor, outorgando à pele e à cor o estatuto de uma ficção de cariz biológico, os mundos euro-americanos em particular fizeram do Negro e da raça duas versões de uma única e mesma figura, a da loucura codificada”, decreta Achille Mbembe.

Dialogando com Michel Foucault, Franz Fanon e Giorgio Agamben, Mbembe propõe um processo de descolonização das subjetividades e emancipação política de um mundo que ainda está por vir: é possível desmantelar o racismo? Ou todos nós experimentaremos o devir negro do mundo, isto é, seremos predatoriamente subjetivados através de políticas neoliberais e securitárias?

PENSAMENTO FEMINISTA NEGRO

Patricia Hill Collins
Boitempo Editorial
R$ 54,75 

Racismo

Um dos cânones dos estudos de gênero e estudos midiáticos, ‘Pensamento Feminista Negro’ foi escrito pela socióloga Patricia Hill Collins em 1990. Em constante diálogo com o pensamento de Audre Lorde, Bell Hooks e Alice Walker, Collins faz um mapeamento do feminismo negro dentro e fora da academia. Conceituando o que chama de ‘imagens de controle’, a teórica feminista coloca em cheque como as imagens constroem e subsidiam nossos preconceitos:

“Estamos num período interessante no que diz respeito à mídia de massa (…). Os homens brancos são controlados por imagens de controle que caem sobre eles. Eles podem facilmente pressupor que são mais inteligentes que todo mundo, que são melhores que todo mundo, que têm o direito de comandar as instituições, que podem violentar pessoas – muitos homens são assim e muitos homens não são. É a luta com as imagens que foram impostas a você, e ainda a questão da relação entre as imagens”, afirma Patricia.

Patricia nos leva por um caminho que pensa estereótipos de gênero e raça, nos chamando para hackear os sistemas de imagens responsáveis por mediar nossas realidades e controlar nossos corpos e subjetividades.

O GENOCÍDIO DO NEGRO BRASILEIRO

Abdias Nascimento
Editora Perspectiva
R$ 42,90 

Racismo

Construído sob o mito da “democracia racial”, o Brasil enfrenta dificuldades ao debater profundamente a realidade do racismo. Abdias Nascimento foi um dos maiores defensores dos direitos dos negros no Brasil. Suas obras refletem a sua oposição ao discurso oficial sobre a condição social e cultural do negro brasileiro à realidade, fazendo a desconstrução do que se convencionou chamar de “democracia racial”, cenário utópico e irreal no qual “pretos e brancos convivem harmoniosamente, desfrutando iguais oportunidades de existência, sem nenhuma interferência, nesse jogo de paridade social, das respectivas origens raciais ou étnicas”.

“O movimento negro tem várias faces, mas sempre é uma continuidade da grande luta de libertação cujo maior líder e referência básica é Zumbi dos Palmares”, diz Abdias. Devemos então aprender com suas memórias e referências.

De fácil compreensão, o livro perpassa por uma série de eventos com o objetivo de fazer compreender a experiência da negritude no Brasil, um dos países com maior população negra, marcada fortemente pelo desastre dos processos de escravidão transatlântica.

A NOVA SEGREGAÇÃO: RACISMO E ENCARCERAMENTO EM MASSA

Michelle Alexander
Boitempo Editorial
R$ 64,00 

Racismo

Publicado em 2010, a obra vendeu mais de 600 mil exemplares e figurou no topo de livros mais vendidos por mais de 150 semanas. O livro perpassa pelo Governo Obama, tido como progressista, mas que cometeu o erro substancial de encarcerar negros massivamente – tal como foi feito no Brasil, quando o Governo Lula-Dilma foi responsável pelo maior aumento populacional da história do país. Ao invés dos inúmeros gastos em construções de presídios federais ou estaduais, esse dinheiro poderia ser revertido para programas educacionais e de combate à desigualdade, resolvendo assim o problema do encarceramento.

Escrito pela jurista norte-americana Michelle Alexander, a obra argumenta que o sistema de racismo institucional não foi superado, mas sim redesenhado.  Para a autora, o encarceramento em massa se organiza por meio de uma lógica abrangente e bem disfarçada de controle social racializado e funciona de maneira semelhante ao sistema ‘Jim Crow’ de segregação, abolido formalmente nos anos 1960 após o movimento por direitos civis nos Estados Unidos.

“O relógio do progresso racial nos Estados Unidos foi atrasado, embora quase ninguém pereça notar. Todos os olhares estão fixados em pessoas como Barack Obama e Oprah Winfrey, que desafiaram as probabilidades e alcançaram poder, fama e fortuna. Para aqueles deixados para trás, especialmente aqueles no interior dos muros das prisões, a celebração do triunfo racial nos Estados Unidos deve parecer um pouco prematura. Mais homens negros estão aprisionados hoje do que em qualquer outro momento da história da nação”, avalia Alexander.

LUGAR DE FALA

Djamila Ribeiro
Editora Letramento | Selo Justificando
R$ 19,90

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Uma das intelectuais mais POPs do momento, Djamila Ribeiro tem tecido críticas afiadas à branquitude e ao sistema capitalista. Encabeçando a coleção Feminismos Plurais, ela também lançou títulos como “O que é o lugar de fala?”, “Quem tem medo de Feminismo Negro?” e “Pequeno Manual Anti-racista” – todos constam nas listas de livros mais vendidos do país desde que foram editados.

“As pessoas brancas precisam entender as origens sociais do racismo, desnaturalizar o olhar, descondicionar o olhar sobre essas questões, porque muitas vezes acham que o racismo é um problema dos negros. Não entendem que é um problema das pessoas brancas também, é um problema da sociedade”, aponta a filósofa.

Acha que faltou algum livro na nossa lista? Compartilhe conosco nos comentários sua opinião e sugestão de quem poderíamos incluir para enriquecer ainda mais o debate ao compartilhar informação de qualidade. Boa leitura!

Fotos: ®Reprodução

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5 Livros para Compreender Racismo e o Atual Debate Racial
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5 Livros para Compreender Racismo e o Atual Debate Racial
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Um guia introdutório e necessário para você se educar com obras de não ficção sobre a experiência negra e o racismo estrutural no Brasil e no mundo.
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