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Pedro Almodóvar
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Tudo Sobre O cinema Inconfundível do espanhol Pedro Almodóvar

Postado por Ali Prando / 8 February, 2020

Original, desafiador e provocativo: como o cineasta espanhol Pedro Almodóvar moldou o cinema nas últimas três décadas?

Com certeza você já ouviu falar de Pedro Almodóvar, cineasta, ator e argumentista espanhol de 70 anos. Pedro nunca pôde estudar cinema, por falta de dinheiro. Foi o terceiro filho de um caixeiro-viajante e uma dona de casa. Nasceu em 1949, na região de La Mancha, na Espanha. O contato com o cinema começou aos dez anos, quando já estudava em um colégio de padres salesianos. Em um cinema de rua, em Cáceres, teve contato com as produções hollywoodianas, o neorrealismo italiano, a nouvelle vague francesa e a complexidade de Ingmar Bergman.

Pedro Almodóvar

Membros da Movida Madrileña

Foi aos 16 anos que decidiu se mudar para Madrid, onde trabalhou como balconista na antiga Telefonica. Pedro fez desenho em quadrinhos, foi ator de teatro e cantor de uma banda de rock, na qual participava travestido. Durante os anos 70 estes trabalhos foram alternados com gravações em formato super-8 e colaboração em várias revistas e produções teatrais. Estes foram anos de grande atividade cultural em Madri, a chamada ‘Movida Madrileña’, um movimento contra-cultural surgido durante os primeiros anos da transição da Espanha pós-franquista. E Almodóvar foi totalmente integrado a esse ambiente, formando juntamente com o ator Fanny McNamara a base do novo cinema espanhol.

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Um filme de Almodóvar geralmente pode ser conhecido por sua impressionante mise-en-scène, suas cores fortes, decoração brilhante, ângulos de câmera, às vezes inusitadas, e figurinos bem autênticos. Publicamente homossexual, os seus filmes exploram os limites da sexualidade e da química sexual de maneira aberta e honesta. A família é um outro tema muito comum ao longo de seus filmes em que ele discute as diferentes formas de família e como, por vezes, as suas relações com os amigos pode ser mais influente e importante do que suas relações de sangue, grande exemplo disto é ‘Volver’, feito pelo espanhol em 2006.

Pedro Almodóvar

Almodóvar com Penélope Cruz nas gravações do filme “Volver”

Com seu filme de estréia, ‘Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón’, em 1980, Pedro Almodóvar chegou ao cinema comercial. Ele era um autodidata que ainda não tinha domínio da técnica cinematográfica, mas este primeiro filme causou grande impacto e mostrou um estilo pessoal e sintetizou todo o fluxo criativo acumulado ao longo dos anos setenta, em que predominou a temática em torno de sexo, drogas e tribos urbanas e atração para o bizarro e excêntrico.

No entanto, os primeiros anos de sua carreira foram atormentados por contratempos, principalmente porque os produtores não o levavam a sério. Pode então, dirigir ‘Laberinto de Pasiones’ graças ao apoio da rede de cinemas ‘Alphaville’ de Madri. Esse novo filme alcançou notável êxito de público, talvez porque não tocava em temas tão ‘escabrosos’ para a sociedade.

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A produtora ‘Tesauro’ lhe permitiu então dirigir novos filmes e foi se formando o seu estilo narrativo peculiar, comédia com nuances trágicas em que os personagens estão sempre prontos para transgredir o padrão estabelecido sem se importar com as restrições religiosas, sociais ou pessoais. Um dos pontos altos de sua filmografia, assim como Buñuel, Almodóvar faz inúmeras críticas à igreja católica: seja no começo da carreira, como em “Maus Hábitos” (1984), comédia sobre jovens pecadoras que se refugiam em um convento mas não buscam a redenção, ou mais recentemente em “Má Educação” (2004), o diretor denuncia a hipocrisia e o caráter abusivo que vê na igreja.

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Antonio Banderas, Pedro Almodóvar e Penélope Cruz com o Oscar que o diretor recebeu por “Tudo sobre minh mãe

Depois de vários filmes criticamente apreciados, Almodóvar venceu dois Oscar, dois Globo de Ouro, quatro BAFTA, quatro prêmios do Festival de Cannes e seis Goya, a honraria máxima do cinema espanhol. Almodóvar é um dos cineastas mais peculiares e singulares do mundo. É o mestre dos roteiros e das direções de elenco. Ele explora como ninguém as fraquezas e dramas humanos nos deixando até certo ponto desconfortáveis e reflexivos.

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GAULTIER E PEDRO ALMODÓVAR

Jean Paul Gaultier é um dos colaboradores mais ativos de Almodóvar: a história da parceria começou com ‘Kika’ em 1994, quando Gaultier desenvolveu os figurinos de Andrea Scarface (Victoria Abril) – uma celebridade televisiva que se vestia “como se tivesse sido vítima de uma catástrofe, mas com um toque de glamour” segundo a descrição do cineasta.

Pedro Almodóvar

Pedro Almodóvar, Victoria Abril e Jean Paul Gaultier na promoção de “Kika”

Gaultier e Almodóvar colaboraram novamente em 2003, quando o cineasta lançava ‘Má Educação’. Para este filme, Gaultier criou, entre outros, o vestido reluzente que lembra um corpo nu usado por Zahara (Gael García Bernal). Nesta década, Gaultier assinou o guarda-roupa de Vera (Elena Anaya), protagonista de “A Pele Que Habito” (2011), composto basicamente de segundas-peles para todo o corpo.

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ESTÉTICA KITSCH

As cores também são características importantes em seus filmes, sendo o vermelho a mais marcante, como o diretor mesmo assume: “Uso o vermelho de uma maneira bem sensual – não importa a cultura, é sempre uma cor significativa”. Mas ainda assim existe mistura de cores, influência da estética kitsch – presente em suas obras desde o início. Além dessa estética estar expressa nos figurinos e na cenografia, está também nas situações que passam os protagonistas, com melodramas, dramalhões e tragicomédias.

AS MULHERES DE PEDRO ALMODÓVAR

Sempre em colaboração com grandes atrizes, tais como Carmen Maura, Penélope Cruz, Cecilia Roth e Marisa Paredes, Almodovar retrata em seus filmes mulheres extremamente fortes e marcantes. Em seus filmes, especialmente ‘Volver’ e ‘Tudo Sobre Minha Mãe’, as mulheres costumam estar no comando, exercendo sua independência e reinando, ou então sendo solidárias diante da perda. Haviam muitas mulheres em sua família, o que influenciou a maneira como a figura feminina é construída em seus longa-metragens.

Pedro Almodóvar

Pedro Almodóvar e Penélope Cruz nas gravações de “Dor e Glória”

Abordando a independência feminina, trazendo personagens que fogem de algumas características impostas aos papéis de mulheres no cinema. Penélope Cruz, aliás, ganhou visibilidade por sua atuação no filme “Carne Trêmula” (1997). Assim como Fellini, Almodóvar também é conhecido por explorar belezas fora do padrão em seus filmes: Rossy de Palma, lançada por Almodóvar e presente em muitos de seus filmes (incluindo o último, “Julieta”), é o melhor exemplo disso.

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DIOR E PEDRO ALMODÓVAR

Para ‘Julieta’, seu 20º filme, o diretor colaborou com a marca Dior na criação de figurino: o brinco Dior Tibale, que virou febre mundial quando lançado, aparece no longa-metragem, usado por Bea (Michelle Jenner), a personagem vestida pela maison. Bea é uma jornalista que tem uma relação conturbada com Julieta (Emma Suárez/Adriana Ugarte), protagonista da trama. Um terno vermelho, a bolsa Diorama, além de um suéter preto e branco do Inverno 2016 da maison fazem parte dos looks usados pela personagem.

Pedro Almodóvar

Figurino Dior no filme “Julieta” de Pedro Almodóvar

PEDRO ALMODÓVAR NA LITERATURA

Pedro Almodóvar Archives
Editora Taschen
Pedro Almodóvar, Vicente Molina Foix

Uma edição atualizada de ‘Pedro Almodóvar Archives’, oferecendo acesso interior para o diretor espanhol culto que seduz o público em todo o mundo com suas dissertações emocionantes sobre desejo, paixão e identidade . Com imagens de bastidores e reminiscências pessoais, o próprio Almodóvar guia o leitor através de sua jornada singular desde os primeiros dias até ‘I’m So Excited’ (2013) e ‘Julieta’ (2016).

Pedro Almodóvar

Desejo e Transgressão no Cinema de Pedro Almodóvar
Editora Appris
Lucia Maria Chataignier de Arruda

‘Desejo e Transgressão no cinema de Pedro Almodóvar’ fala de um dos temas mais interessantes da psicanálise: o desejo. Como ele surge e se manifesta? Quais as consequências de seu recalque? A transgressão, uma reação ao desejo em busca de uma suposta satisfação, que jamais será completa, pois aponta para uma falta constituinte do sujeito. Almodóvar mostra em detalhes poéticos e dramáticos o destino dessa busca.

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Conversas com Almodóvar
Editora Zahar
Frederic Strauss

Desde a escrita do roteiro até a escolha dos menores detalhes, Almodóvar é autor completo de seus filmes e trouxe para a sétima arte um estilo inconfundível, marcado por temas polêmicos e uma estética kitsch. No livro, construído a partir de uma série de entrevistas que o crítico de cinema Frédéric Strauss fez com o cineasta ao longo de mais de vinte anos, Almodóvar nos revela como compõe cenários e figurinos e tira proveito de músicas para realçar situações dramáticas.

Pedro Almodóvar

O leitor vai descobrir o que há de autobiográfico em sua obra, quais são seus filmes e livros preferidos, a razão de privilegiar as personagens femininas e transformar radicalmente valores ligados a família, fé e sexualidade. Tocantes, impetuosas, irônicas, imprevistas, inteligentes – todos esses adjetivos se aplicam às palavras de Pedro Almodóvar nestas conversas.

Fotos: ®Reprodução

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Tudo Sobre O cinema Inconfundível do espanhol Pedro Almodóvar
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Tudo Sobre O cinema Inconfundível do espanhol Pedro Almodóvar
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Com produções icônicas, majestosas, com temáticas interessantes e cheias de cores, Pedro Almodóvar consagrou-se como um dos melhores diretores do mundo.
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