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Festival Verão Sem Censura
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Festival Verão Sem Censura celebra a liberdade de expressão

Postado por Thássio Marcelo Aragão / 17 January, 2020

Vai ter filme sobre prostituta sim! Confira a programação do evento que acolhe manifestações culturais censuradas e oprimidas recentemente.

Olha que iniciativa poderosa! A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, celebra a democracia e a liberdade de expressão com o Festival Verão Sem Censura entre os dias 17 e 31 de janeiro. O evento acolhe todas as manifestações culturais oprimidas em 15 dias de evento, realizado nas cinco regiões da cidade. São mais de 45 atividades abertas e gratuitas, como peças de teatro, filmes, debates, shows, exposições, performances e até carnaval.

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A iniciativa apoia e fortalece a resistência aos ataques à cultura e aos artistas no Brasil. Para o secretário Alexandre Youssef, o Festival Verão Sem Censura não é um projeto de antagonismo ao Governo Federal.

“É uma medida de valorização da nossa cultura”, explica. “Uma resistência que luta pelo bem mais valioso da nossa cultura, a liberdade de expressão”. Trata-se de combater a repressão, a censura e o preconceito produzindo e promovendo coisas “boas, bonitas e fortes”.

Festival Verão Sem Censura

Deborah Secco viveu a ex-prostituta Bruna Surfistinha (Raquel Pacheco) no cinema (Foto: Reprodução)

A abertura do evento, no dia 17, será realizada na Praça das Artes, com show de Arnaldo Antunes, que teve seu videoclipe censurado na TV recentemente. Logo após, acontece a apresentação do DJ Rennan da Penha, funkeiro idealizador do Baile da Gaiola preso em março e libertado em novembro.

No dia 18, a Praça das Artes promove também uma exibição de “Bruna Surfistinha”, de Marcus Baldini. O longa-metragem tem sessão seguida de debate com Raquel Pacheco, cuja autobiografia “O Doce Veneno do Escorpião” inspirou o filme, e a atriz Deborah Secco, que interpreta a ex-prostituta.

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Em julho, o presidente Jair Bolsonaro declarou que não poderia “admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha”. Coitado! É bom “jair” se acostumando com o Festival Verão Sem Censura. Na sequência, acontece desfile de moda da Daspu, grife do movimento de prostitutas do Brasil criada por Gabriela Leite, e a festa LGBT Desculpa Qualquer Coisa com performance das Maravilhosas Corpo de Baile.

Festival Verão Sem Censura

Desfile Daspu na Satyrianas 2016 com Aretha Sadick e Etyely Fernandes (Foto: Daniela Pinheiro)

No dia 30, o Pussy Riot, banda punk rock feminista que teve integrantes condenadas à prisão na Rússia, em 2012, faz show com participação de Linn da Quebrada, na Rua Vergueiro, altura do nº 1200, em frente ao Centro Cultural São Paulo (CCSP). No dia 29, a banda participa de debate no mesmo espaço, após exibição do documentário “Act and Punishment”, de Yevgeni Mitta.

A Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Theatro Municipal, é palco para festas no dia 31, começando com o Cortejo do bloco Espetacular Charanga do França, às 23h. Em seguida, a diversão continua com Tarado Ni Você, bloco de músicas de Caetano Veloso, e, por fim, a festa Minhoqueens.

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O Theatro Municipal recebe o encerramento do Festival Verão Sem Censura, com apresentação da peça “Roda Viva”, do Teatro Oficina, no dia 31. O espetáculo, escrito por Chico Buarque e com direção de José Celso Martinez, foi censurado durante a ditadura civil-militar brasileira. O espaço também é palco do show “Divinas Divas”, com mulheres trans que também sofreram atos de censura durante a carreira, no dia 29.

Festival Verão Sem Censura

Peça Roda Viva apresenta ascensão e queda de ídolo pop e análise da sociedade do consumo (Foto: F Stamato)

Na Biblioteca Mário de Andrade, a programação inclui as peças “O Caderno Rosa de Lori Lamby”, nos dias 18 e 19, e “Navalha na Carne Negra”, nos dias 24, 25 e 26; uma conversa sobre Marighella, com Mário Magalhães e Maria Marighella, no dia 29; o bate-papo “Uma Aula Sobre 1984”, com a historiadora Lilia Schwarcz, sobre o romance distópico de George Orwell, no dia 21; e o clube de leitura “Puñado lê Proibidas”, com trechos de autoras latino-americanas brancas e negras que foram censuradas.

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PEÇAS CENSURADAS

A programação do Festival Verão Sem Censura inclui diversos espetáculos censurados em 2019. No Centro Cultural São Paulo (CCSP), “Caranguejo Overdrive”, de Aquela Cia de Teatro, é exibido após ter a sua reestreia vetada no Rio de Janeiro. A peça foi consagrada com o Prêmio Shell 2016 de Melhor Direção para Marco André Nunes, Melhor Autor para Pedro Kosovski e Melhor Atriz para Carolina Virgüez. As sessões acontecem nos dias 17, 18 e 19.

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Censurado pela Funarte, espetáculo Res Publica 2023 é um dos destaques do Festival (Foto: Priscila Prade)

Censurada pela FUNARTE, a peça “RES PUBLICA 2023” já foi acolhida pela Prefeitura em outubro, quando estreou no CCSP. Agora, o espetáculo do grupo A Motosserra Perfumada chega ao Centro Cultural da Juventude (CCJ), nos dias 22 e 23. Também no CCJ, acontece a apresentação de “Domínio Público”, na qual os artistas Maikon K, Renata Carvalho e Wagner Schwartz, juntamente com Elisabete Finger, se juntam para uma reflexão a partir dos ataques sofridos em 2017.

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A peça “Abrazo”, da companhia Clowns de Shakespeare, é apresentada nos dias 17, 18 e 19, no Centro Cultural Olido, após ter sido cancelada minutos antes de sua segunda sessão em Recife. O espetáculo infanto-juvenil é inspirado no “Livro dos Abraços”, de Eduardo Galeano, e conta a história de um local no qual abraços não são permitidos.

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 Cena da peça Abrazos, censurada pela Caixa Cultural (Foto: Pablo Pinheiro)

Também no Olido, o espetáculo “Gritos”, da companhia Dos à Deux, é apresentado nos dias 17, 18 e 19. O motivo da censura teria sido a temática LGBTQ+ do espetáculo, que conta a história de uma travesti.

EXPOSIÇÕES

O CCSP apresenta, entre os dias 17 e 31, uma exposição com cartazes de filmes censurados, reconhecendo a importância dos cartazes para preservar a memória do cinema brasileiro – em dezembro, cartazes foram retirados das paredes da sede e do site da Ancine. Na Biblioteca Mário de Andrade, é possível conferir a exposição “Banidos”, com obras do acervo de livros raros censuradas na história literária.

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A exposição tem o intuito de apoiar a liberdade de expressão e a diversidade do cinema brasileiro (Foto: Divulgação)

A abertura, no dia 17, conta com bate-papo com Ignácio de Loyola Brandão, romancista brasileiro autor de obras que foram censuradas na época da ditadura, e Laura Mattos, autora do recente Herói mutilado: Roque Santeiro e os bastidores da censura à TV na ditadura.

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SESSÕES DE CINEMA

No CCSP, é exibido o premiado “A Vida Invisível”, representante do Brasil no Oscar. O longa-metragem de Karim Aïnouz seria exibido para os servidores da Ancine em dezembro, mas foi vetado pela direção do órgão, do qual o filme também teve os seus cartazes removidos das paredes. A sessão acontece dia 19, na Sala Lima Barreto.

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Karim Aïnouz entre as atrizes Julia Stockler e Carol Duarte no Festival de Cannes 2019  (Foto: Loic Venance/ AFP)

O espaço também apresenta uma Sessão de curtas LGBT, no dia 18. No dia 19, são exibidos os filmes “Bixa Travesty” e “Corpo Elétrico”, além de uma sessão de médias-metragens.

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Curtiu a programação do Festival Verão Sem Censura? Para saber os detalhes completos sobre o evento, confira o link oficial disponibilizado pela Prefeitura de São Paulo. A gente ama uma cidade desconstruída que toma a dianteira da defesa da nossa cultura. Como dizem por aí, lacrou!

Fotos: ®Reprodução

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