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Man Ray
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Conheça o Trabalho de Man Ray: O Fotógrafo Dadaísta Na Moda

Postado por Alisson Prando / 29 April, 2019

Pioneiro da fotografia enquanto arte, Man Ray flertou com os movimentos do surrealismo e dadaísmo.

A fotografia sempre foi utilizada para gravar momentos e pessoas. O homem sempre teve um sentimento de se guardar para a posterioridade e, ao tirar fotos, mantinha o objetivo de ser reconhecido no futuro, de ser lembrado, bonito, impecável. Assim, as fotografias tratavam-se de pessoas posando para as fotos, ou lugares, sempre visando uma boa imagem. Durante muito tempo, esse foi o trabalho do fotógrafo: organizar a foto para que as pessoas ou os locais fotografados ficassem com uma excelente aparência, e que essa fosse a imagem registrada para sempre. Nos Estados Unidos, porém, no ano de 1890, nasce o homem que transformaria essa limitada visão: Man Ray.

Man Ray

Auto-retrato Man Ray

Filho de judeus-russos emigrados para os Estados Unidos, o mesmo foi um artista completo: estudou arquitetura, engenharia, artes plásticas e fotografia. Foi em New York, em 1915, que conheceu o famoso pintor francês Marcel Duchamp, com quem fundou o grupo Dadá Nova-iorquino. Além do dadaísmo, ele também flertou com outros movimentos como o surrealismo, fato que ocorreu depois de sua mudança para França, em 1921. Foi um dos grandes nomes da vanguarda artística na década de 1920. Um gênio da arte.

Dadaísmo é um movimento anti-arte surgido na Suíça em 1916. Esta palavra, não tem um significado exato. Quando se diz que Dada é um movimento anti-arte, isto quer dizer que o Dadaísmo surgiu para destruir a noção de arte vinda do passado e propor a mais radical interrogação sobre o que é arte.

Man Ray

Glass Tears – 1932

Assim como outros artistas do dadaísmo, Man Ray desenvolvia seu trabalho com espontaneidade e originalidade, sempre provocando a sociedade presente e colocando a sua ideia sobre a arte e a cultura, principal mote do movimento dadá. Trabalhava muito bem com a desconstrução da fotografia, transformando fotos tradicionais em construções de laboratórios, através de suas técnicas. Usava muitas vezes, a distorção de formas e corpos criando imagens surrealmente incríveis:

“Em lugar de pintar pessoas, comecei a fotografá-las, e desisti de pintar retratos ou melhor, se pintava um retrato, não me interessava em ficar parecido. Finalmente conclui que não havia comparação entre as duas coisas, fotografia e pintura. Pinto o que não pode ser fotografado, algo surgido da imaginação, ou um sonho, ou um impulso do subconsciente. Fotografo as coisas que não quero pintar, coisas que já existem.”

Man Ray

Black and White – 1926

Ele fotografou as maiores celebridades da época. Posaram diante da sua lente: Ernest Hemingway, Coco Chanel, Salvador Dalí, Jean Cocteau, James Joyce e inúmeros outros. Man Ray encarna na fotografia de moda seu lado mais criativo e desenvolve uma linguagem singular transmitindo a essência da alma feminina. A moda como sempre é um reflexo de cada época e, depois da Primeira Guerra Mundial, esta mudou progressivamente adaptando-­se aos novos hábitos.

Ray usava os editoriais de moda para suportar sua arte experimental. A fotografia de moda dele era livre de qualquer conceito pré-estabelecido, era, na verdade, uma visão do artista. A cada ensaio, um estudo, um experimento.

Man Ray

Retratos de Salvador Dalí (1943) e Coco Chanel (1935)

Man Ray trabalhou em três gênero: natureza-morta, paisagem e retrato. Lidando com os princípios básicos da fotografia, ele inova, busca o relevo, a terceira dimensão e, para alcançar isso, começa a usar a raiografia, uma técnica em que os objetos são colocados sobre o papel fotográfico em um quarto escuro e expostos à luz sem a utilização da câmera.

Grande defensor da fotografia como arte. Com ligações que passam pelo Cubismo, Dadaísmo e Surrealismo, é o artífice da foto criativa, elaborada construída ou improvisada, tentando sempre uma aproximação entre fotografia e pintura. É o pioneiro da desconstrução da fotografia com a transformação de fotos tradicionais em criações de laboratório, usando muitas vezes distorções de corpos e formas.

Man Ray

Male Nude – 1930

Ele é um dos fotógrafos mais importantes de todos os tempos, tanto pela sua fotografia quanto pela sua luta por livrar as artes de conceitos e regras. Em sua obra, representa sonhos, fantasia. Poderia ter optado por representar pesadelos, uma vez que o mundo acabara de passar por uma grande guerra, e estava a caminho de outra. Ele utilizou o humor, a diversão para confrontar o horror da primeira metade do século XX.

“Eu não fotografo a natureza, eu fotografo as minhas fantasias”.

EXPOSIÇÃO MAN RAY

Fotógrafo, pintor, escultor, cineasta… são vários os atributos de Man Ray, um dos maiores artistas visuais do início do século XX e expoente do movimento surrealista. E é parte de sua história criativa – um recorte significativo de seu trabalho – que o público vai poder conhecer de 21 de agosto a 28 de outubro na exposição “Man Ray em Paris” apresentada pelo Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo.

Quase 130 anos após seu nascimento, o país recebe 255 obras do artista nunca antes vistas pelo público brasileiro, entre objetos, vídeos, fotografias e serigrafias de tamanhos variados – de 40×30 a 130×90 cm – todas desenvolvidas durante os anos que viveu em Paris, entre 1921 e 1940, seu período de maior efervescência criativa. Depois do CCBB SP, a mostra segue para a unidade de Belo Horizonte, entre 11 de dezembro e 17 de fevereiro de 2020.

Curtiu? Conheça também o trabalho de outras lendas da fotografia de moda como o surrealista David LaChapelle, o ícone da cultura pop Steven Klein, a lendária dupla Mert & Macus, o experimental Nick Knight, o fotógrafo das estrelas Mario Testino e o provocador Steven Meisel.

Fotos: ®Reprodução

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