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Quarenteners
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Quarenteners e o benefício do casulo para o metamorfosear

Postado por What Else Mag / 1 May, 2020

Quando o isolamento desperta o interesse de descobrir o potencial de cada um.

Toda conquista de espaço exige um tipo de afastamento. É como se houvesse uma delimitação de território, uma demarcação dos limites que mostra sinais de independência. Estamos todos em distanciamento social, talvez um distanciamento físico, pois continuamos nos socializando de diversas maneiras, inclusive algumas bem criativas.

As redes sociais, videoconferências, os recados escritos em papéis e deixados nas janelas, as conversas pelas sacadas ou nas calçadas das casas (cada um na sua porta), as serenatas feitas de dentro da própria casa, as palmas que ressoem no mundo inteiro para homenagear merecidamente uma classe que não pode se isolar.

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Esse momento deixou mais claro do que nunca que o Homo Sapiens não precisa permissão para sair… de si! A criatividade transcende os limites do território corporal e alcança o outro lado do mundo ou o mundo dali, do outro lado do muro.

Sair de si é derramar, é crescer e sair da fôrma como o leite faz quando ferve e mostra a sua força se derramando. A realidade ostenta sem cuidado nenhum: fique em casa! Não visite ninguém! Não faça reuniões sociais! Não se aproxime fisicamente de quem não está dentro da sua casa! Respeite os territórios!

Sim, existem limites! Não contamine o mundo do outro. Esse limite não está funcionando só para distanciar fisicamente as pessoas, mas para cuidar de todos. Distanciar é também desprender, desatando possíveis amarras que impedem o encontro com o íntimo de cada um. O movimento do cotidiano normal oportuniza entretenimentos que facilitam a fuga desse encontro.

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Agora, o espelho mostra todos os dias e inclusive com detalhes, que existe alguém nesse reflexo. Alguém com sinais do tempo que desvendam histórias de vida. Descobertas através das marcas da própria vivência, uma ressignificação e encontro com o amadurecimento.

Esse encontro está permitido e validado, é uma das direções para onde a obrigatoriedade do momento está conduzindo. O amadurecimento pessoal e por que não dizer social! Esse impacto com o espelho está acontecendo no mundo inteiro! Dentro dos casulos e fora dos territórios.

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Dentro dos casulos, o metamorfosear, como diz Boris Cyrulnik. O processo totalmente íntimo, de reconhecimento das próprias potencialidades transformando-se num ser capaz de voar e ressignificar a própria história, mas também de cuidar do outro. Amadurecendo!

Nesse novo lugar crescer e conhecer os próprios potenciais para não invadir e contaminar as conquistas do outro. É preciso conhecer a si para dar conta do potencial que existe no mundo de outras pessoas. Para perceber que existe uma diversidade de traços que enriquece a todos e a si. Para respeitar e não invadir o território alheio, mesmo quando for possível um relacionamento mais próximo.

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Os contatos interpessoais são conexões que ultrapassam o inter e alcançam o intra. Quando tudo está misturado, pode acontecer falha no combinado e os elementos não se transformarem no composto amalgamado. Quando os limites não são definidos, existe o risco dos elementos coagularem e a química apresentar desarmonia entre as substâncias.

A química mostra a importância do cuidado com a porção para majestosamente haver a poção, elixir para melhorias. A natureza exibe escandalosamente o valor do isolamento para a transformação pessoal ser revelada na leveza do bater das asas e a possibilidade do melhor e mais saudável voo conjunto. Um lugar definido com limites estabelecidos através da diversidade de cada um, o respeito ao tempo, às asas e aos coloridos.

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O momento é de isolamento, é de metamorfosear e conhecer o que é potencial para cada um. Depois do casulo e da transformação criativa, o voo da liberdade proporcionará a percepção da beleza genuína que existe em cada território. Nesse momento, com mais possibilidade de visualizar a beleza do panorama, pois a lente individual estará tratada com o conhecimento do próprio valor.

Que seu casulo esteja cheio de metamorfosear!

Texto da professora, psicóloga clínica e palestrante Elisa Leão
Fotos: ®Reprodução | @covidartmuseum

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